Professores,
Encaminho material apresentado na aula de Prática Educativa em 19/10.
Att.,
Camila Zanette.
Em anexo veio o arquivo Plano de aula 1:
Prática
Educativa em Saúde
Alunos: Camila
Zanette Oppermann, Fábio Cunha, Luiz Fernando Cervantes e Rubens
Rodriguez
Objetivos:
1)
Conhecer o conceito de neoplasia;
2)
Diferenciar neoplasias benignas de malignas;
3)
Conhecer os critérios que separam as neoplasias benignas das
malignas;
4)
Vivenciar um pouco os processos judiciais que ocorrem contra os
profissionais de saúde.
Metodologia:
Júri simulado de um acontecimento real, parcialmente modificado,
para não haver identificação dos envolvidos. Dois alunos farão
parte da acusação, dois alunos na defesa, um juiz, um escrivão,
cinco alunos farão parte do júri (sorteados ou indicados pela lista
de chamada)
ORGANIZAÇÃO
DA APRESENTAÇÃO
JUIZ – Fábio (
apresenta a proposta, estratégia de júri simulado, e o tema,
neoplasia)
ESCRIVÃO – Camila
(seleciona os participantes)
-
2 MINUTOS
SELEÇÃO DOS
PARTICIPANTES
1º. UM AUXILIAR PARA A
PROMOTORIA E OUTRO PARA A DEFESA
2º. SORTEAR OS
PARTICIPANTES DO JURI ( 5 pessoas) E DA PLATEIA
(identificação para
os participantes)
-
7 MINUTOS
Apresentação da
promotoria – Luiz Fernando
- 7
MINUTOS
Apresentação da
defesa - Rubens
-
5 MINUTOS
Questionamentos do
Juiz
- 3
MINUTOS
Veredicto do júri
Escrivão recolhe os
resultados e juiz dá a sentença.
- 5
MINUTOS
Pós-teste
Escrivão digita o
material e envia para os professores.
APRESENTAÇÃO
DO CASO PELA PROMOTORIA
Ação
de indenização por dano moral
Paciente masculino 60 anos, não fumante apresenta hemoptise e massa
expansiva de 5,5cm no lobo superior do pulmão direito, formando
vegetação endobrônquica, de aspecto neoplásico. Foi realizada
biopsia brônquica com o diagnóstico de:
Neoplasia
maligna, compatível com carcinoma “oat cell”.
Com esse resultado consultou um oncologista que desencadeou os
seguintes acontecimentos:
1. Há quase um ano atrás, tragédia sem limites abalou as
estruturas familiares, quando por volta de setembro de 2006, o
requerente passou a apresentar quadro patológico, com queda de
pressão arterial, perda de peso e sangramento das vias respiratórias
aéreas, pela boca. Procurou um clínico local, que suspeitando de
algo mais grave, aconselhou-o a buscar serviço especializado.
2. Como Passo Fundo é atualmente, sem dúvida alguma, pólo
regional em matéria de saúde, para lá se dirigiu e acabou sendo
internado no HOSPITAL .
3. Teve início a sua peregrinação pelos consultórios e
laboratórios daquela casa de saúde, realizando uma série de
infindáveis exames de toda a ordem, desde o simples hemograma até a
tomografia computadorizada . Nada
de maior significado foi encontrado, que pudesse justificar o quadro
sintomático que apresentava.
4. Ante o insucesso dos exames até então realizados, foi submetido
a uma BRONCOSCOPIA, com a retirada de fragmentos dos brônquios que
foram remetidos laboratório requerido para exame anatomopatológico.
Referido material deu entrada no laboratório no mesmo dia onde foi
realizado o dignóstico ,apresentando o seguinte resultado :
EXAME MICROSCÓPIO: Coágulos sanguíneos, entre os quais
observam-se agrupamentos de células neoplásicas, de
núcleos arredondados, cromatina densa e citoplasma escasso.
As células neoplásicas distribuem-se de maneira
anárquica ou agrupam-se em cordões sólidos.
DIAGNÓSTICO: BRÔNQUIO (Fragmentos): NEOPLASIA MALIGNA
COMPATÍVEL COM CARCINOMA “
OAT CELL ”.
5. O pesadelo apenas havia começado. ESTAVA COM CÂNCER
PULMONAR (Segundo o diagnóstico).
Diante desse diagnóstico, sua esposa foi procurada pelo médico que
o assistia, revelando-lhe que o autor NÃO TERIA MAIS DO QUE
OITO MESES DE VIDA. (Médico oncologista)
Eventual cirurgia que havia no início sido cogitada, resultou diante
do diagnóstico afastada, havendo a indicação de quimio e
radioterapia, até que o tumor apresentasse sinais regressivos para
então ser avaliada nova possibilidade cirúrgica.
Desnecessário dizer que o “ mundo desabou ” sobre o seio dessa
família. Não havia como esconder do requerente, dos filhos,
parentes e amigos que os assediavam e de imediato (como toda a
notícia ruim), ganhou asas, passou a integrar as férteis
imaginações e como não deixa de ser nessas ocasiões, foi
alardeada palmo a palmo e o que é pior, ainda com suas consequências
aumentadas.
O desespero da esposa, dos filhos, dos parentes foi incomensurável.
Não há, no mundo, dinheiro que pague a dor e o sofrimento que esse
diagnóstico lhes infringiu.
6. Conforme Termo de Compromisso, uma lâmina e um bloco de parafina
referente ao exame anatomopatológico do autor, foi retirado do
Laboratório, para levar o outro médico em Porto Alegre. Nova TC
mostrou lesão expansiva no lobo superior direito, compatível com a
informação clínica de origem neoplásica.
7. Até então, confirmava-se, pelo menos em tese, o diagnóstico
anterior: tratava-se de tumor de origem neoplásica. Apenas, já não
se afirmou que o mesmo era compatível com carcinoma e nem que suas
células seriam malignas. Houve pequeno progresso.
8. Foi realizada nova biópsia cujo resultado foi: Não são
observadas células viáveis para que se possa realizar
imunofenotipagem. Com a graça Divina as coisas começaram a
melhorar. Mas ainda restava a incógnita, com relação a presença
de células neoplásicas malignas anunciadas previamente. O exame
citopatológico esclareceu: Negativo para células malignas.
Pronto o horizonte descortinou-se. Pelo menos de CÂNCER NÃO SE
TRATAVA. Ao tempo caberia a resposta, com for a dado apenas 8 meses
de vida bastava ter paciência e calma para chegar a conclusão
final. Apos 15 meses o autor encontra-se em plena atividade, não
efetuou quimio ou raditerapia.
Diante do exposto requer:
- Que seja julgada procedente a ação condenando o requerido a pagar a importância de 300 salários mínimos a título de indenização por dano moral.
- Seja condenado ainda o requerido a pagar às custas processuais e honorários advocatícios na base de 20% sobre o valor da causa.
- Seja deferida a ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA GRATUÍTA-AJG.
APRESENTAÇÃO
DA DEFESA
Réplica:
Ação por dano moral
O autor fez cirurgia em Porto Alegre, onde foi retirado o lobo
superior do pulmão, com o seguinte diagnóstico: Tumor carcinóide
com metástase para linfonodo mediastinal.
Deve-se levar em consideração que o laudo da parte ré diz:
Neoplasia maligna, compatível com carcinoma oat cell.
Sobre este diagnóstico devem-se fazer as seguintes considerações:
Neoplasia:
O termo significa novo crescimento, que pode ser benigno ou maligno.
Compatível
com carcinoma oat cell: que pode corresponder a este tumor, mas
em nenhum momento há uma afirmação categórica.
O diagnóstico em Porto Alegre: Tumor carcinóide, com metástase
linfonodal.
Sobre isto devemos considerar:
Tumor
carcinóide: é uma neoplasia maligna de células pequenas.
A
presença de metástase: é condição inequívoca para
considerar uma neoplasia como maligna.
O paciente apresenta metástase em um linfonodo mediastinal.
CRITÉRIOS
PARA DIFERENCIAR NEOPLASIAS
CARACTERÍSTICAS
|
BENIGNAS
|
MALIGNAS
|
1 - CRESCIMENTO
|
LENTO
|
RÁPIDO
|
2 - CRESCIMENTO
|
EXPANSIVO
|
INFILTRATIVO
|
3 - ANAPLASIA
|
AUSENTE
|
PRESENTE
|
4 - METÁSTASE
|
PRESENTE
|
AUSENTE
|
Destes critérios, o inequívoco para malignidade é: Metástase.
Considerações finais:
1- O
paciente tem massa tumoral que indubitavelmente é maligno, devido a
presença de metástase nodal.
2- A
metástase é condição inequívoca de malignidade.
3- Devido
ao exposto solicita-se que o processo seja considerado improcedente.
VEREDICTO
DO JURI:
Por
unanimidade, o réu foi considerado inocente.
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