domingo, 23 de outubro de 2011

Sobre o Juri simulado

Recebi um e-mail com a seguinte mensagem:

Professores,

Encaminho material apresentado na aula de Prática Educativa em 19/10.

Att.,

Camila Zanette.

Em anexo veio o arquivo Plano de aula 1:
 
Prática Educativa em Saúde

Alunos: Camila Zanette Oppermann, Fábio Cunha, Luiz Fernando Cervantes e Rubens Rodriguez

Objetivos:
1) Conhecer o conceito de neoplasia;
2) Diferenciar neoplasias benignas de malignas;
3) Conhecer os critérios que separam as neoplasias benignas das malignas;
4) Vivenciar um pouco os processos judiciais que ocorrem contra os profissionais de saúde.

Metodologia: Júri simulado de um acontecimento real, parcialmente modificado, para não haver identificação dos envolvidos. Dois alunos farão parte da acusação, dois alunos na defesa, um juiz, um escrivão, cinco alunos farão parte do júri (sorteados ou indicados pela lista de chamada)

ORGANIZAÇÃO DA APRESENTAÇÃO

JUIZ – Fábio ( apresenta a proposta, estratégia de júri simulado, e o tema, neoplasia)
ESCRIVÃO – Camila (seleciona os participantes)

- 2 MINUTOS
SELEÇÃO DOS PARTICIPANTES
1º. UM AUXILIAR PARA A PROMOTORIA E OUTRO PARA A DEFESA
2º. SORTEAR OS PARTICIPANTES DO JURI ( 5 pessoas) E DA PLATEIA
(identificação para os participantes)

- 7 MINUTOS
Apresentação da promotoria – Luiz Fernando

- 7 MINUTOS
Apresentação da defesa - Rubens

- 5 MINUTOS
Questionamentos do Juiz

- 3 MINUTOS
Veredicto do júri
Escrivão recolhe os resultados e juiz dá a sentença.

- 5 MINUTOS
Pós-teste
Escrivão digita o material e envia para os professores.




APRESENTAÇÃO DO CASO PELA PROMOTORIA

Ação de indenização por dano moral

Paciente masculino 60 anos, não fumante apresenta hemoptise e massa expansiva de 5,5cm no lobo superior do pulmão direito, formando vegetação endobrônquica, de aspecto neoplásico. Foi realizada biopsia brônquica com o diagnóstico de:
Neoplasia maligna, compatível com carcinoma “oat cell”.

Com esse resultado consultou um oncologista que desencadeou os seguintes acontecimentos:

1. Há quase um ano atrás, tragédia sem limites abalou as estruturas familiares, quando por volta de setembro de 2006, o requerente passou a apresentar quadro patológico, com queda de pressão arterial, perda de peso e sangramento das vias respiratórias aéreas, pela boca. Procurou um clínico local, que suspeitando de algo mais grave, aconselhou-o a buscar serviço especializado.

2. Como Passo Fundo é atualmente, sem dúvida alguma, pólo regional em matéria de saúde, para lá se dirigiu e acabou sendo internado no HOSPITAL .

3. Teve início a sua peregrinação pelos consultórios e laboratórios daquela casa de saúde, realizando uma série de infindáveis exames de toda a ordem, desde o simples hemograma até a tomografia computadorizada . Nada de maior significado foi encontrado, que pudesse justificar o quadro sintomático que apresentava.

4. Ante o insucesso dos exames até então realizados, foi submetido a uma BRONCOSCOPIA, com a retirada de fragmentos dos brônquios que foram remetidos laboratório requerido para exame anatomopatológico. Referido material deu entrada no laboratório no mesmo dia onde foi realizado o dignóstico ,apresentando o seguinte resultado :

EXAME MICROSCÓPIO: Coágulos sanguíneos, entre os quais observam-se agrupamentos de células neoplásicas, de núcleos arredondados, cromatina densa e citoplasma escasso. As células neoplásicas distribuem-se de maneira anárquica ou agrupam-se em cordões sólidos.

DIAGNÓSTICO: BRÔNQUIO (Fragmentos): NEOPLASIA MALIGNA COMPATÍVEL COM CARCINOMA “ OAT CELL ”.

5. O pesadelo apenas havia começado. ESTAVA COM CÂNCER PULMONAR (Segundo o diagnóstico).

Diante desse diagnóstico, sua esposa foi procurada pelo médico que o assistia, revelando-lhe que o autor NÃO TERIA MAIS DO QUE OITO MESES DE VIDA. (Médico oncologista)

Eventual cirurgia que havia no início sido cogitada, resultou diante do diagnóstico afastada, havendo a indicação de quimio e radioterapia, até que o tumor apresentasse sinais regressivos para então ser avaliada nova possibilidade cirúrgica.

Desnecessário dizer que o “ mundo desabou ” sobre o seio dessa família. Não havia como esconder do requerente, dos filhos, parentes e amigos que os assediavam e de imediato (como toda a notícia ruim), ganhou asas, passou a integrar as férteis imaginações e como não deixa de ser nessas ocasiões, foi alardeada palmo a palmo e o que é pior, ainda com suas consequências aumentadas.

O desespero da esposa, dos filhos, dos parentes foi incomensurável. Não há, no mundo, dinheiro que pague a dor e o sofrimento que esse diagnóstico lhes infringiu.

6. Conforme Termo de Compromisso, uma lâmina e um bloco de parafina referente ao exame anatomopatológico do autor, foi retirado do Laboratório, para levar o outro médico em Porto Alegre. Nova TC mostrou lesão expansiva no lobo superior direito, compatível com a informação clínica de origem neoplásica.

7. Até então, confirmava-se, pelo menos em tese, o diagnóstico anterior: tratava-se de tumor de origem neoplásica. Apenas, já não se afirmou que o mesmo era compatível com carcinoma e nem que suas células seriam malignas. Houve pequeno progresso.

8. Foi realizada nova biópsia cujo resultado foi: Não são observadas células viáveis para que se possa realizar imunofenotipagem. Com a graça Divina as coisas começaram a melhorar. Mas ainda restava a incógnita, com relação a presença de células neoplásicas malignas anunciadas previamente. O exame citopatológico esclareceu: Negativo para células malignas.

Pronto o horizonte descortinou-se. Pelo menos de CÂNCER NÃO SE TRATAVA. Ao tempo caberia a resposta, com for a dado apenas 8 meses de vida bastava ter paciência e calma para chegar a conclusão final. Apos 15 meses o autor encontra-se em plena atividade, não efetuou quimio ou raditerapia.

Diante do exposto requer:

  1. Que seja julgada procedente a ação condenando o requerido a pagar a importância de 300 salários mínimos a título de indenização por dano moral.
  2. Seja condenado ainda o requerido a pagar às custas processuais e honorários advocatícios na base de 20% sobre o valor da causa.
  3. Seja deferida a ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA GRATUÍTA-AJG.













APRESENTAÇÃO DA DEFESA

Réplica: Ação por dano moral

O autor fez cirurgia em Porto Alegre, onde foi retirado o lobo superior do pulmão, com o seguinte diagnóstico: Tumor carcinóide com metástase para linfonodo mediastinal.

Deve-se levar em consideração que o laudo da parte ré diz: Neoplasia maligna, compatível com carcinoma oat cell.

Sobre este diagnóstico devem-se fazer as seguintes considerações:

Neoplasia: O termo significa novo crescimento, que pode ser benigno ou maligno.

Compatível com carcinoma oat cell: que pode corresponder a este tumor, mas em nenhum momento há uma afirmação categórica.

O diagnóstico em Porto Alegre: Tumor carcinóide, com metástase linfonodal.

Sobre isto devemos considerar:
Tumor carcinóide: é uma neoplasia maligna de células pequenas.

A presença de metástase: é condição inequívoca para considerar uma neoplasia como maligna.

O paciente apresenta metástase em um linfonodo mediastinal.


CRITÉRIOS PARA DIFERENCIAR NEOPLASIAS

CARACTERÍSTICAS
BENIGNAS
MALIGNAS
1 - CRESCIMENTO
LENTO
RÁPIDO
2 - CRESCIMENTO
EXPANSIVO
INFILTRATIVO
3 - ANAPLASIA
AUSENTE
PRESENTE
4 - METÁSTASE
PRESENTE
AUSENTE

Destes critérios, o inequívoco para malignidade é: Metástase.

Considerações finais:

1- O paciente tem massa tumoral que indubitavelmente é maligno, devido a presença de metástase nodal.

2- A metástase é condição inequívoca de malignidade.

3- Devido ao exposto solicita-se que o processo seja considerado improcedente.



VEREDICTO DO JURI:

Por unanimidade, o réu foi considerado inocente.







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